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1. Quem somos

A proposta Lajedos surgiu, de forma embrionária, no transcorrer do ano de 2006. Por essa época, os grupos espeleológicos potiguares (especialmente a Sociedade Espeleológica Potiguar – SEP e a Sociedade para Pesquisa e Desenvolvimento Ambiental do Rio Grande do Norte – SEPARN) iniciaram um processo de unificação de suas atividades, gerando produtos em comum. Basicamente, chegou-se ao consenso de que seria necessária a criação de um canal de escoamento da produção intelectual nascida das atividades dos grupos.

Em junho de 2007, durante a campanha de mapeamento em Felipe Guerra, Rio Grande do Norte, a Sociedade Espeleológica Potiguar identificou uma série de irregularidades com relação ao licenciamento ambiental de atividades petrolíferas em áreas cársticas, o que gerou um novo ânimo ao debate de que a espeleologia potiguar necessitava de uma ferramenta capaz de levar a informação à sociedade de uma forma rápida e direta. Deveria ser um instrumento simples, de baixo custo operacional e acessível tanto àqueles que desejassem produzir conteúdo, como aos que o buscassem. O segundo semestre daquele ano foi dedicado ao amadurecimento da idéia.

No início de 2008, a proposta estava praticamente toda traçada e todos trabalhavam em função da criação de uma publicação eletrônica, em formato de revista, a ser veiculada através da internet. Faltava, porém, implementá-la, o que ocorreu gradualmente, surgindo, durante esse processo, diversos obstáculos de natureza prática. O aprendizado adveio, justamente, com esses acertos e erros.

Assim, quase no final do ano, em 01 de novembro de 2008, estreou um novo site e o primeiro número da Revista Lajedos, uma publicação eletrônica voltada à divulgação do patrimônio ambiental, com ênfase nas atividades espeleológicas desenvolvidas pela SEP e pela SEPARN. Os objetivos da revista, desde o lançamento, relacionam-se à preservação do equilíbrio do meio, o que somente pode ser atingido através da difusão da informação. Mantida pela atuação voluntária dos associados aos grupos espeleológicos, a Revista Lajedos preencheu uma lacuna de produção que havia com relação ao conhecimento das cavernas localizadas no extremo Nordeste do Brasil. Buscando pautas que revelem não somente os aspectos técnico-esportivos da espeleologia, a revista também prima pelo registro do cotidiano das atividades de campo dos grupos, bem como pela documentação histórico-cultural dos sítios ambientais, uma marca diferenciadora do trabalho.

Atualmente, a Lajedos converteu-se em um projeto que dá novos rumos à espeleologia potiguar. O marco inicial – a revista eletrônica – encontra-se bastante superado, estando à idéia agregadas ações de diversas naturezas, que objetivam documentar e divulgar o patrimônio ambiental. Assim, Lajedos transformou-se em um movimento que congrega grupos associativos, produz uma revista eletrônica e apresenta um calendário de atividades anual contínuo. Ao futuro, as perspectivas se abrem a novas publicações, promovendo, ainda mais, a difusão do conhecimento.


2. A história da espeleologia potiguar

A história da espeleologia potiguar remonta eventos inicialmente isolados, quando alguns naturalistas fizeram incursões em cavernas potiguares, motivados pela crescente difusão que Martel fazia de uma nova ciência – a espeleologia. Alguns jornais da época destacam essas iniciativas. O literato Henrique Castriciano foi um dos que primeiro fez investidas na Casa de Pedra de Martins, no ano de 1894, havendo deixado em suas paredes versos do poema Na Solidão, em Martins. Também à mesma caverna, dirigiu-se o naturalista Adolpho Lutz, em junho de 1928, quando estava no Rio Grande do Norte a convite do Governador Juvenal Lamartine. Mais recentes são os registros da passagem dos pesquisadores Cabral e Nasser, que na década de 1950 percorreram várias cavernas em Baraúnas. Assim, as cavidades naturais subterrâneas, de modo esparso, mas constante, sempre ocuparam espaço no imaginário da sociedade norte-rio-grandense.

Contudo, somente em meados de 1987, com a vinda a Natal, por motivos profissionais, do geólogo paulista Geraldo Nunes Gusso, iniciou-se uma atividade sistemática, firmada numa sólida proposta de documentar as cavernas existentes em território potiguar. Gusso reuniu, então, um grupo bastante eclético, diversos representantes da sociedade natalense, para formar o Clube de Espeleologia do Rio Grande do Norte – CERN, primeira associação criada no estado com o intuito específico de pesquisar e divulgar cavernas. As atividades do CERN, durante muitos anos, foram o grande lastro da produção de conhecimento sobre as cavidades naturais subterrâneas no Rio Grande do Norte. Naquele mesmo ano, 1987, noticiou a visita à Furna Feia na imprensa local.

Após o falecimento de Geraldo Gusso, em meados de 1992, o CERN passou por inúmeras transformações. Foi um período de intensa atividade do grupo, com a descoberta de novas áreas cársticas, como a imensa região compreendida no entorno do Rio Apodi (especialmente, terrenos no município de Felipe Guerra), e a produção de mapas topográficos das cavernas. Importantes trabalhos de prospecção foram empreendidos, sendo descobertas inúmeras cavernas que até hoje constituem referência no universo da Bacia Potiguar, como a Gruta da Rainha, a Catedral e a Urubu. Tais trabalhos do CERN, consolidados em uma mapoteca, representam a primeira base formal sobre a qual foi edificado praticamente tudo que se sabe hoje sobre o potencial cavernícola do Rio Grande do Norte. Mesmo partindo de uma estrutura amparada totalmente no voluntariado de seus membros e desprovida de equipamentos modernos ou em quantitativo suficiente para atender todo o grupo, o CERN desempenhou uma atividade crucial para o conhecimento de importantes cavernas e a consolidação da prática da espeleologia no estado.

Em meados de 1995, porém, desentendimentos produziriam uma divisão do grupo, seguindo uma parte dos sócios com as tradicionais atividades de prospecção e mapeamento, enquanto uma fração dissidente resolveu lançar as bases de uma nova associação. Tais tentativas de criação de um novo grupo espelham-se em alguns momentos, como a Associação Potiguar de Espeleologia – ASPELEO, movimento liderado por Joaquim das Virgens Neto que, entre 1997 e 2000, conseguiu implementar uma série de atividades realizadas através de projetos de extensão da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. As pesquisas capitaneadas por Virgens Neto, até hoje, constituem marcos pelo pioneirismo na publicação de inúmeros trabalhos, especialmente em congressos de iniciação científica e simpósios da área de geologia. Mérito, ainda, da ASPELEO a participação em vários eventos relacionados à área ambiental e a criação de um jornaleco impresso, que publicou um único exemplar, chamado Galeria. Por sua forte ligação com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a ASPELEO representou um importante canal de divulgação da ciência espeleológica dentro da universidade, promovendo interação entre graduandos e professores de cursos como geologia, biologia, farmácia e, até, direito. Datam desses anos, os trabalhos de campo realizados sob os auspícios do projeto universitário Trilhas Potiguares, oportunidade na qual diversas cavernas foram mapeadas e publicadas em eventos do âmbito da academia. Entretanto, a atuação do grupo esmaeceu bruscamente por volta do ano 2000, época em que coincide com a criação de um novo grupo, a Sociedade para Pesquisa e Desenvolvimento Ambiental do Rio Grande do Norte – SEPARN.

Fundada em 20 de janeiro de 1999, a SEPARN foi uma associação essencialmente criada para implementar juridicamente uma parceria pioneira com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis – IBAMA. À época, a idéia era ampliar as atividades da ASPELEO para áreas que envolvessem não somente a espeleologia, pelo que se criou uma nova associação, com objetivos mais amplos, especialmente pensando-se em estabelecer parcerias com órgãos públicos e prestação de serviços. A SEPARN, assim, absorveu uma boa parte do quadro de sócios da ASPELEO e, celebrado um termo de cooperação técnica com o IBAMA, em 20 de dezembro de 2000, foi graças à iniciativa desse grupo que se conseguiu trazer ao Rio Grande do Norte uma base do Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas – CECAV. Iniciou-se um período de rico entrosamento entre a comunidade espeleológica potiguar e o órgão federal. Os espeleólogos, inicialmente, capacitaram servidores do IBAMA e fizeram o repasse do conhecimento adquirido sobre as cavernas potiguares ao longo de anos de trabalho. Após, adentraram equipes mistas (espeleólogos e servidores do IBAMA) numa fase de trabalhos de campo em parceria, quando se expandiu, consideravelmente, o quantitativo de cavernas conhecidas na área do Rio Grande do Norte.

Após quatro anos de cooperação, o contrato demonstrava nítidos sinais de falência. Divergências com relação ao rumo da condução da política espeleológica no Rio Grande do Norte e discussões em torno das autorias das idéias e projetos culminaram no fim da cooperação técnica. Entretanto, dos anos de parceria ficaram importantes ganhos à espeleologia no Rio Grande do Norte, que hoje projetam a região como uma nova e importante fronteira cavernícola.

Após o final da cooperação técnica com o IBAMA, da SEPARN originou-se uma nova associação, a Sociedade Espeleológica Potiguar – SEP, entidade criada, essencialmente, para reunir os espeleólogos que desejavam trabalhar diretamente com levantamentos topográficos.

Atualmente, há no estado, portanto, entes públicos e privados atuando diretamente com cavernas. Três representantes da sociedade civil destacam-se, sendo o mais antigo, o Clube de Espeleologia do Rio Grande do Norte – CERN, ainda ativo e realizando saídas ao campo. De outra sorte, a atuação conjunta da Sociedade Espeleológica Potiguar – SEP e da Sociedade para Pesquisa e Desenvolvimento Ambiental do Rio Grande do Norte – SEPARN vem procurando incrementar ações ao longo de todo o ano, especialmente buscando mecanismos de divulgação dos trabalhos realizados. Por fim, conta a espeleologia potiguar, ainda, com ações implementadas na região oeste pelo núcleo comandado pelo espeleólogo Durval Lima, membro-fundador, inclusive, do CERN, mas que hoje desenvolve atividades na região de forma independente.

A espeleologia no Rio Grande do Norte, assim, apresenta-se como uma atividade consolidada e que há décadas vem sendo praticada, essencialmente, por voluntários ligados a associações. Ao futuro, espera-se, sempre, maior integração das pessoas e um incremento na produção intelectual que vem revelando as riquezas das cavernas.

3. Arquivos

Ata de fundação do CERN
Jornal Dois Pontos
A Galeria - Ano 1 n 1
Estatuto da SEPARN
Termo de cooperação técnica
Estatuto da SEP
© 2008/2008 SEP & SEPARN. Todos os direitos reservados.
Site produzido com imagens de Almeida Netto, Gomes, Virgens Neto e Guanabara. Textos por Almeida Netto.