Em outubro houve uma infeliz constatação na região do Lajedo do Apertar da Hora, em Jandaíra, município localizado na porção agreste do Rio Grande do Norte, posto que se voltou a identificar, ali, o avanço da lavra clandestina de calcário em áreas de influência de inúmeras cavernas. O conflito ambiental envolvendo cavidades naturais subterrâneas e a extração de rocha calcária em Jandaíra é bastante antigo, mas, cada vez mais, toma contorno pior, pois, nos últimos anos percebe-se que se aproxima essa mineração dos corpos cavernícolas. Pela técnica rudimentar empregada, o material é removido somente em sua capa mais superficial, destinando-se os blocos à calcinação em fornos rústicos, que queimam a pedra muitas vezes, inclusive, valendo-se da lenha advinda da mata nativa. O quadro importa, assim, num cenário de macro destruição ambiental que está profundamente imbricado às atividades econômicas que se desenvolvem na região. O mais difícil de combater nesse tipo de atividade é que ela está totalmente a margem da legalidade, ausente qualquer procedimento oficial, posto que praticamente todas as etapas do processo ocorrem de modo clandestino. As agressões são as mais diversas, faltando desde a regulamentação da mão-de-obra até o mínimo cumprimento da legislação ambiental, onde se insere o problema relativo às grutas.

Na específica área onde se detectou o risco iminente, o Lajedo do Apertar da Hora, estão algumas das mais importantes cavernas do leste potiguar, destacando a homônima gruta do Apertar da Hora, uma das mais interessantes cavidades naturais cadastradas na região. A lavra chegou a menos de cinquenta metros da entrada dessa gruta e ameaça ainda outras como a Fugitivos, Zé Galego II, Canyon e o Abismo Jandaíra. Foram abertos acessos na mata virgem e removida uma parcela significativa da vegetação da camada rochosa do afloramento calcário onde se encaixam essas estruturas espeleológicas.

O Instituto Nacional do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis, em 2002, em parceria com a Sociedade para Pesquisa e Desenvolvimento Ambiental do Rio Grande do Norte, realizou um trabalho de demarcação da área de influência que foi repassado a proprietários de imóveis rurais e microempresários da indústria caieira. Durante algum tempo, aparentemente, o plano foi corretamente cumprido. Contudo, as constatações da recente degradação vista no dia 16 de outubro demonstram que é preciso uma nova e rápida intervenção estatal na área, especialmente se considerando a proximidade que a lavra está das cavernas. A Sociedade Espeleológica Potiguar está concluindo estudos na área que subsidiarão uma denúncia aos órgãos competentes.


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