Download da consolidação das cavidades naturais subterrâneas – Banco de dados 2005-2009
A espeleologia, na forma clássica como vem sendo praticada há décadas pelos grupos no Brasil, apresenta dificuldades que são produto direto da forma assistemática com a atividade é executada. Excetuando-se desse contexto apenas algumas associações espeleológicas mais consolidadas e com maior grau de organização, é regra, a falta de coordenação, planejamento e – especialmente – metas presas a cronogramas. Dessa premissa surge uma conclusão: a de que os grupos mais bem estabelecidos, hoje, no país, são aqueles que há anos conseguiram disciplinar suas atividades em torno de projetos coletivos de médio e longo prazo.
O que fazer nas saídas ao campo? Qual o sentido de uma topografia? Por que perder tanto tempo em atividades burocráticas de organização interna de documentos?, são perguntas freqüentes...
Indiscutivelmente, não se pode pensar na prática da espeleologia sem que haja uma sólida proposta permanente de trabalho. As expedições, os investimentos e as atividades demandadas pelos membros dos grupos, obrigatoriamente, devem sempre estar atreladas a metas objetivas e diretas, de modo que se possa facilmente reconhecer qual o sentido das atividades espeleológicas e, mais, quais são os objetivos das pessoas envolvidas. Tudo isso se traduz na necessidade de existência de projetos permanentes. As entidades que se predispõem a fomentar a técnica das cavernas devem preparar-se para, antes de qualquer coisa, motivar seus quadros com base em coerentes (e viáveis) idéias de ação.
Quando o planejamento amadureceu dentro da Sociedade Espeleológica Potiguar, tal idéia trouxe, em si, atrelada, a necessidade de criação de um projeto capaz de abarcar desde as fases mais elementares de encontrar uma caverna, passando por seus registros, até a criação de complexos mecanismos de comunicação das descobertas. Como dito, todas essas etapas são elos de uma mesma cadeia, na qual as atividades propostas apresentam-se com começo, meio e fim. E como o final está inserido, necessariamente, nessa concepção de ação, passou-se também a pensar em termos temporais de limites ao término das ações. Assim, naturalmente, o amadurecimento inseriu metas concretas e cronogramas dentro das execuções que, antes, eram feitas de forma aleatória.
A partir do momento em que houve o planejamento, com metas e cronogramas, tinha-se o arcabouço de um plano de ação. Resolveu-se chamar o projeto de Sertão Magnético e, dali em diante, as ações do grupo passaram, gradativamente, a ser norteadas pelos objetivos desse projeto.
Basicamente, o Sertão Magnético busca implementar produtos finais que possam ser aproveitados pela sociedade. Sua idéia de ação trabalha com a construção de um banco de dados que sistematiza as atividades promovidas pelo grupo. Assim, cada saída é meticulosamente planejada de forma que possa sempre estar complementando o banco de dados do projeto. Ao mesmo tempo, os integrantes do grupo percebem a forma como evoluem suas atividades e o sentido de cada saída.
Independentemente de aceitar que podem haver agrupamentos espeleológicos direcionados a qualquer ramo da ciência ou da técnica, o consenso gira em torno da idéia central de que qualquer grupo que reúna interessados em cavernas direciona suas atividades ao trinômio: procurar – registrar – documentar.
Pela metodologia do projeto, durante todas as ações é alimentada uma grande planilha com informações básicas, que inclui registros de cada caverna encontrada ou visitada. Tais registros abarcam dados de individualização do sítio (denominação, coordenadas, referências de localização), dados topográficos (dimensões e mapa), dados da interferência antrópica (conflitos ambientais) e dados fotográficos (banco de imagens), dentre outros.
Esse conjunto forma uma base preliminar de conhecimento sobre cada feição espeleológica, que serve para dar suporte a diversas outras atividades, como a preservação do ambiente ou os estudos científicos específicos. A base de dados, portanto, é composta pelo conjunto de três elementos:
O banco de dados é alimentado por todas essas etapas das atividades espeleológicas. Entenda-se que não é do interesse da entidade rivalizar com outros bancos (públicos ou privados), mas simplesmente expor as diligências do grupo e apresentar mais um canal de produção de conhecimento sobre as cavernas. A Sociedade Espeleológica Potiguar entende que cada um deve primar por suas informações, sendo o cerne de cada entidade justamente o conjunto de dados reunidos ao longo dos anos – patrimônio maior de qualquer agrupamento espeleológico. O bem mais precioso que qualquer entidade espeleológica possui é seu banco de dados. É através dele que se constrói a história dos trabalhos daquelas pessoas e o que conseguiram acumular em suas atividades de campo. É consenso, portanto, dentro da Sociedade Espeleológica Potiguar, que deve haver um projeto permanente no âmbito do grupo para a manutenção e alimentação do banco de dados. Eis a idéia central do Projeto Sertão Magnético: atuar descobrindo, registrando e documentando cavernas da melhor forma possível.
E seguindo uma política de abertura e transparência, os dados do Projeto Sertão Magnético estão disponíveis à sociedade. Registros cartográficos e fotográficos vêm sendo levados ao público através das inúmeras publicações que são produzidas todos os anos. Neste site são disponibilizados vários documentos do projeto, material que é complementado pelas publicações do grupo, muitas das quais também disponíveis neste endereço. Frisamos, ao final, que todos os arquivos ofertados são regularmente atualizados e acrescidos com novas informações.
Uma das partes mais importantes de qualquer projeto de documentação espeleológica é a mapoteca. O banco de mapas da Sociedade Espeleológica Potiguar iniciou-se do zero a partir de 2005, ano em que nem a associação estava, ainda, juridicamente constituída, mas apenas aglutinava, informalmente, alguns amigos.
O projeto de mapeamento do grupo, motivo basilar de sua existência desde o primeiro momento, foi iniciado com toda seriedade possível. Apesar do grupo de pessoas que formou a Sociedade Espeleológica Potiguar em 2006 já haver mapeado anteriormente (ASPELEO, SEPARN, CECAV, dentre outros), resolveu-se iniciar a mapoteca somente com mapas produzidos originalmente pela associação. Isso porque a metodologia aplicada aos levantamentos topográficos, a partir de 2005, apoiou-se em quatro elementos que, até hoje, são rigorosamente cumpridos:
A análise crítica apontou que os mapas produzidos anteriormente pelos membros que formariam o grupo não se enquadravam nesses requisitos. A partir disso, resolveu-se trabalhar com levantamentos que primassem por uma apresentação gráfica o mais intuitiva possível, mas que, ao mesmo tempo, tal formatação fugisse o mínimo da padronização internacional prevista nas normas da União Internacional de Espeleologia. Esse esforço culminou na criação de uma convenção cartográfica própria, fruto de muita pesquisa e que elegeu uma nova forma de trabalhar com detalhamento de cavernas dentro da Sociedade Espeleológica Potiguar.
É interessante apontar que esse esforço de resgistar cavernas a partir de uma “nova forma de trabalho” não colide com o que vem sendo feito noutras partes do mundo. Na verdade, o que foi desenvolvido dentro da Sociedade Espeleológica Potiguar foi um método que buscou acertos de várias partes, de forma que se pôde, ao final desse processo, adequar o que havia de melhor à realidade local do carste trabalhado pelo grupo.
Assim, a Sociedade Espeleológica Potiguar sente hoje grande orgulho de poder contribuir com mapas de alto padrão e continua trabalhando, permanentemente, para disponibilizar à sociedade todo esse material, através de veículos de comunicação que a cada dia se renovam.