1. ESPELEOLOGIA E METAS CONCRETAS

Indiscutivelmente, não se pode pensar na prática da espeleologia sem que haja uma sólida proposta
permanente de trabalho. As expedições, os investimentos e as atividades demandadas pelos membros dos grupos,
obrigatoriamente, devem sempre estar atreladas a metas objetivas e diretas, de modo que se possa facilmente
reconhecer qual o sentido das atividades espeleológicas e, mais, quais são os objetivos das pessoas envolvidas. Tudo isso se traduz na necessidade de existência de projetos permanentes. As entidades que se predispõem a fomentar a ciência das cavernas devem preparar-se para, antes de qualquer coisa, motivar seus quadros com base em coerentes (e viáveis) ideias de ação.

Porém, a espeleologia praticada pelos grupos, no Brasil, esbarra em uma série de dificuldades que minam, justamente, a criação e a manutenção de projetos permanentes. Falta de recursos materiais, material humano excessivamente amparado no voluntariado, excesso de burocracia estatal, dificuldade de acesso a informações e equipamentos são, apenas, algumas das tantas barreiras dispostas pelo caminho. Hoje, é consenso que é preciso "reinventar" os modos tradicionais de se gerir os agrupamentos de pessoas interessadas no mundo das cavernas, de modo que se possa driblar todas essas dificuldades, ao mesmo tempo em que as pessoas são estimuladas a buscar, sempre, algo novo.

Um dos pilares que sustentam o Projeto Lajedos é justamente criar vínculos capazes de motivar pessoas interessadas em ingressar (e permanecer!) nesse mundo. Não é fácil, nem um pouco. Na verdade, não há uma fórmula mágica para tanto. É preciso, sim, que se demonstre que a cada viagem restará algo de concreto a ser transformado em algum tipo de produto. Eis o motivo de existência maior da Revista Lajedos: apresentar o resultado das saídas ao campo. E outras ideias florescem nessa mesma linha, como a criação de brochuras, de exposições fotográficas e o apoio que é direcionado a estudantes de cursos superiores, em suas pesquisas.

2. PROJETO SERTÃO MAGNÉTICO

Porém, falar em metas concretas é também falar em cronogramas de ações. Falar em metas é falar
em resultados e pensar em como se pode traduzir todo esse conjunto em produtos que possam ser
aproveitados pela sociedade. A primeira base para a construção de todo esse processo, passa por uma
cadeia de etapas as quais demonstram a forma de atuação de cada grupo espeleológico. Assim,
independentemente deaceitar que podem existir agrupamentos direcionados a qualquer ramo
da ciência ou da técnica, o consenso gira em torno da idéia central de que qualquer grupo que
reúna interessados em cavernas direciona suas atividades ao trinômio: procurar – registrar
– documentar.



O Projeto Sertão Magnético é como a Sociedade Espeleológica Potiguar - SEP chamou uma ideia de justamente procurar, registrar e documentar as cavernas, inicialmente somente no Rio Grande do Norte, mas que, atualmente, começa a ser expandido a outros estados. A partir dele, pela iniciativa voluntária dos membros do grupo, vem sendo construído um banco de dados composto por registros básicos de cada cavidade natural subterrânea trabalhada, uma mapoteca e um banco de imagens, que se integram mutuamente.



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O banco de dados é alimentado por todas essas etapas das atividades espeleológicas. Entenda-se que não é do interesse da entidade rivalizar com outros bancos (públicos ou privados), mas simplesmente expor as atividades do grupo e apresentar mais um canal de produção de conhecimento sobre as cavernas. A Sociedade Espeleológica Potiguar entende que cada um deve primar por suas informações, sendo o cerne de cada entidade justamente o conjunto de dados reunidos ao longo dos anos. O bem mais precioso que qualquer entidade espeleológica possui é seu banco de dados. É através dele que se constrói a história dos trabalhos daquelas pessoas e o que conseguiram acumular em suas atividades de campo. É consenso, portanto, dentro da Sociedade Espeleológica Potiguar, que deve haver um projeto permanente no âmbito do grupo para a manutenção e alimentação do banco de dados. Eis a ideia central do Projeto Sertão Magnético: atuar descobrindo, registrando e documentando cavernas da melhor forma possível.

E seguindo uma política de abertura e transparência, os dados do Projeto Sertão Magnético estão disponíveis à sociedade. Registros cartográficos e fotográficos vêm sendo levados ao público através das inúmeras publicações que são produzidas todos os anos. Neste site são disponibilizados vários documentos do projeto, material que é complementado pelas publicações do grupo, muitas das quais também disponíveis neste endereço. Frisamos, ao final, que todos os arquivos ofertados são regularmente atualizados e acrescidos com novas informações.