A Sociedade Espeleológica Potiguar – SEP protocolou duas representações, ambas encaminhadas à Procuradoria da República. Os dois termos versam sobre agressões praticadas contra o patrimônio espeleológico no Rio Grande do Norte. São casos que já foram em inúmeras vezes levados ao conhecimento da sociedade civil, especialmente através da mídia, tanto específica da comunidade espeleológica, como dos jornais impressos de circulação regional.
A primeira das representações versa sobre a perfuração de um poço de petróleo nos arredores de um vasto sítio espeleológico conhecido como Lajedo do Rosário, localizado no município de Felipe Guerra. O que chama a atenção é que, a princípio, a empresa Petróleo Brasileiro S/A. – PETROBRAS estava munida de todas as licenças para realização da obra de construção do poço. Entretanto, durante a averiguação da SEP, foi constatado topograficamente que o empreendimento invadiu a área de influência de cavernas, de proteção permanente, segundo a Resolução CONAMA nº 347/04, fazendo transitar maquinário pesado a menos de cem metros de importantes grutas, com reconhecidos depósitos fossilíferos da mega-fauna. Houve, ainda, agressão a algumas das mais conhecidas cavernas potiguares como a Catedral, Descoberta e Carrapateira, essa última, um sítio de relevante valor histórico, muito citada na tradição oral do imaginário da população da região.
A segunda representação versa sobre um caso análogo, ocorrido na região da Serra da Cruz, entre os municípios potiguares de Caicó e Cruzeta. Lá existe a ocorrência de inúmeras cavernas em mármore, sendo a mais conhecida a Gruta da Caridade. Quando realizavam levantamentos topográficos na área, membros da SEP encontraram intensa atividade de pesquisa mineral relacionada ao minério de ferro, que ocorre na região e já é explorado no município vizinho de Jucurutu pela empresa MHAG Mineração e Serviços S/A. Houve abertura de vias e aterros, dentre outros, na área de influência de várias cavidades naturais subterrâneas.
Com as representações, espera-se que o Ministério Público Federal possa dar início a um processo investigativo capaz de apontar os responsáveis pelo descumprimento da norma ambiental e deflagrar, ainda, processos de recuperação da área modificada no entorno das cavernas. Todos os documentos referentes a essas denúncias estão disponibilizados neste site, na seção Denúncias.