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No último final de semana do mês de março, um grupo topográfico, formado por membros da SEP e da SEPARN, avançou rumo ao mapeamento de uma das regiões cársticas mais importantes do Rio Grande do Norte, localizada no município de Governador Dix-Sept Rosado. Trata-se de uma área contígua aos grandes afloramentos calcários presentes no vizinho Felipe Guerra, mas que, ainda, foi muito pouco explorada.
Na verdade, o primeiro contato dos exploradores com o município deu-se no final de 2009, quando houve a completa documentação da mais conhecida caverna da região: o Poço Feio. Dessa vez, a estratégia foi continuar explorando os arredores do Rio Apodi, indo em direção ao norte. Seguindo nessa pista, foram cadastradas algumas áreas bem importantes e promissoras, havendo chamado a atenção um grande campo fossilífero, localizado em um dos paredões do rio. Havia indicações de que ali se encontrava uma cavidade, mas tudo que foi localizado foi um pequeno abrigo, na altura da lâmina d’água mais baixa do Apodi, conhecido como Olho D´Água do São Francisco. O sítio, porém, é de valor inconteste, pois é largamente utilizado pela população nativa como área recreativa – balneário –, além do já comentado interesse científico, pela questão fossilífera.
Mais adiante, a equipe cadastrou duas valiosas cavernas do ponto de vista histórico. A primeira é conhecida na região como Gruta de Zé Biquinho, havendo a tradição oral perpetuado que ali esteve refugiado, por vários anos, um fugitivo da força policial, pelo final do século XIX ou início do século XX. Atualmente, muito pouco informa a população sobre o caso, sendo desconhecidos maiores detalhes. Averigando o local, pela proximidade com a estrada e o rio, o pesquisador Rostand Medeiros aventou a possibilidade de se tratar de um escravo escondido, fato não tão raro por aquelas bandas.
Ainda nas proximidades, o grupo chegou a uma pequena caverna que os locais conhecem por Gruta do Francês. Situada em uma larga exposição calcária, no Sítio Bonito, a referida gruta é formada por um salão central que se desenvolve a partir de uma larga encontrada inclinada. Há poucos espeleotemas e o vão do endocarste é diminuto, mas o sítio é muito valioso, especialmente porque lá, nas horas mais quentes do dia, refugiam-se rebanhos caprinos, o que favorece o acúmulo de sedimento coprogênico por toda parte, havendo rica fauna associada aos excrementos, conforme visualmente se percebeu. Nesse aspecto, há uma importante (mas pequena) colônia de quirópteros e, ainda, muitos aracnídeos pelo salão. Verificou-se, numa das extremidades, a passagem a um outro domínio, esse meandrante, da referida furna, que apresenta curto desenvolvimento. Sobre as histórias ligadas ao nome do lugar, Gruta do Francês, muito pouco se soube, naquele momento exploratório, mas o guia da expedição, Sr. Francisco Oliveira, afirmou que na década de oitenta, uma equipe formada por brasileiros e franceses esteve no local. Agora, a pesquisa será direcionada para que se possa identificar quem foram essas pessoas.
Ao final, todas as grutas foram mapeadas e fotografadas.
